Quinta-feira, Julho 09, 2009

Provas, despedidas, sem internet e blogger bloqueado. São algumas razões pro meu sumiço Mais um semestre que termina. Dessa vez muita gente está indo embora. Todo mundo que eu conhecia e conheci, do primeiro semestre e de agora, estão voltando para casa. A maioria dizendo: "pois é, tenho que começar a trabalhar...". E eu, aqui... Cedo ou tarde, eu vou entrar nesse caminho também... e continuar...

Esse semestre as despedidas foram um pouco mais tristes. Foram mais pessoas. E acho que também é um acumulado do outro semestre. Sentir as pessoas ir embora a cada 6 meses não é nada agradável. Felizmente, consegui fazer grandes amigos aqui, e acredito que mesmo longe, ainda permaneceremos em contato. Uma pena não ter a chance de visitar cada um deles em suas cidades...

Sem mais. Férias, mas cabeça ainda vazia... O que está acontecendo comigo?

Domingo, Junho 14, 2009

Faz muito tempo que eu não posto alguma coisa. Além do fato da cabeça estar lotada de pensamentos em o que fazer ou estudar - mas vazia em pensar algo novo - adiciona-se que não consigo entrar no site do blogger. Parece que é só aqui na China. Tire suas conclusões. E não me pergunte como eu estou aqui!

Tempo afastado, e um tempo cheio de "acontecimentos". Viagem, deserto que não é quente, Beijing e ladrões, prova de chinês, corações perdidos... Às vezes penso: se para deixar uma pessoa viver feliz é necessário acabar com as suas esperanças... Dar esperanças pode ser tão cruel quanto maltratar alguém?

Tenho saudade de falar muito português, discutir, argumentar, ironizar... Meu inglês não é bom o suficiente (quem dirá o chinês!) para eu praticar os prazeres que a língua pode provocar. Ter pessoas com o mesmo ardor de discussão ao meu redor. Discutir sobre o não comum, ultrapassar a fronteira do que está escrito nos jornais e ler nas entrelinhas. Nunca pensei que a língua-mãe fosse tão necessária para a vida diária. Por mais fluente que seja em outra língua eu acho que nunca se sentirá tão à vontade como na língua-pátria. A expressividade é absurdamente maior. Ano que vem... Com velhos amigos, e novos...

Quinta-feira, Maio 07, 2009

Revolutionary Road

"- Don’t you see, that’s the whole idea? You’ll be doing what you should’ve been allowed to do seven years ago. You’ll have time. For the first time in your life you’ll have time to find out what it is that you actually want to do, and when you figure it out,
you’ll have the time and the freedom to start doing it.

- Sweetheart, it’s just not very realistic, is all.

- No, Frank. This is what's unrealistic. It’s unrealistic for a man with a fine mind to go on working year after year at a job he can’t stand, coming home to a place he can’t stand, to a wife who’s equally unable to stand the same things. You want to know the worst part? Our whole existence here is based on this great premise, that we’re... special... and superior to the whole thing. But we're not. We’re just like everyone else. Look at us! We’ve bought into the same ridiculous delusion. This idea that you have to resign from life and settle down the moment you have children. And we’ve been punishing each other for it.

- Listen,we decided to move out here. No one ever forced me to take the job at Knox. I mean who ever said I was supposed to be a big deal, anyway?"


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"- Não vê, essa é a idéia? Você vai fazer o que devia ter sido permitido fazer sete anos atrás. Você vai ter tempo. Pela primeira vez na sua vida você vai ter tempo para descobrir o que é que você realmente quer fazer, e quando você descobrir, você tem o tempo e a liberdade para começar a fazê-lo.

- Querida,só que não é muito realista, é tudo.

- Não, Frank. Isto é o que é irrealista. É irrealista para um homem com uma bela idéia de ir trabalhar ano após ano, em um trabalho que ele não pode suportar, voltar pra casa para um lugar que ele não pode suportar, para uma mulher que é igualmente incapaz para suportar as mesmas coisas. Quer saber a pior parte? A nossa existência aqui é toda baseada sobre esta grande premissa, que nós somos... especiais... e superior a toda a coisa. Mas não somos. Somos apenas como todo mundo. Olhe para nós! Fomos comprados para entrar na mesma ridícula desilusão. Esta idéia de que você
tem que se demitir de vida e sossegar no momento que tem filhos. E nós estamos nos punindo por isso.

- Escute, nós decidimos se mudar para cá. Ninguém nunca me forçou a aceitar o trabalho em Knox. Quero dizer quem disse que eu estava destinado para ser uma pessoa
importante, afinal?"

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Lembrou-me os tempos de adolescência onde eu e meus amigos falávamos sobre o futuro e que o sentimento de que sentíamos que estávamos predestinados a fazer algo diferente...

Terça-feira, Maio 05, 2009

Simples...

O simples pode ser a resposta mais difícil de se encontrar. Ou a pior pergunta a se responder. Pode ferir e curar, perder e encontrar, morrer ou salvar. O simples está num ato, num olhar, numa palavra. Com diferentes pessoas, diferentes maneiras de expressar. Mas as palavras ainda estão longe de alcançar a intensidade de um ato. O ato é universal. Não há língua que o impeça, não a cultura que não o entenda, não há ser humano que não aprecie. Um simples ato pode mudar tudo. A diferença entre uma despedida fria e um abraço carinhoso de até amanhã é comparado ao infinito. Um abraço é capaz de levar ao céus o que parecia estar no canto escuro do inferno. Um abraço, simples, e por ser simples, por vezes não se imagina a sua intensidade.

Domingo, Abril 12, 2009

Decisões

Estes dias, um anjo veio em minha direção e me fez a seguinte pergunta: "Então, senhor, o que deseja: a carne ou o espírito?" Em minha cabeça pensei que raios de pergunta seria essa, uma brincadeira, talvez. Como se pode escolher entre a carne e o espírito? Eles não são partes que se complementam? Mas para o anjo não havia outra opção ou era um ou outro. Como qualquer ser humano pensei antes na carne. Ceder às tentações da carne é o que mais acontece em toda história da humanidade. Passado meia hora, e depois de muito pensar nas vantagens da carne e nas desvantagens de não tê-la, acabei dizendo que ficaria com a carne, afinal, carne é carne e eu sou um homem. O anjo aceitou a opção e não falou mais nada. A minha decisão durou cinco minutos. Cinco minutos que valeram mais do que a meia hora anterior. Percebi que não estava pensando no espírito, que toda a conquista é feita de espírito e luta, e a carne simplesmente é um meio para conseguir algo. A carne é passageira. O espírito, eterno. Falei com o anjo novamente. Disse que talvez seria melhor eu mudar a minha decisão. Optei pelo espírito.
Não me arrependo nem por um segundo...

Quarta-feira, Março 25, 2009

Essa pequena estadia aqui em Beijing me deu a possibilidade de conhecer gente de todo mundo. E uma coisa me chamou muito a atenção: apesar de países diferentes, línguas diferentes, culturas diferentes, o ser humano é o mesmo. Todos possuem as mesmas questões, praticamente os mesmos objetivos, as mesmas angústias... E se não possuem quase tudo igual, até nas diferenças existem pessoas iguais. Encontrei várias mulheres que em muito me lembram as brasileiras que conheço. Ok, eu sei que o que eu digo não é novidade, não faz mal a ninguém fazer uma observação - ainda mais quando essa observação é feita para, praticamente (afina, há algumas pessoas que ainda lêem o blog), mim mesmo. Agora, o ser humano sempre foi isso mesmo, ou a tal da globalização globalizou até mesmo o que é "ser" humano?

Segunda-feira, Março 09, 2009

É difícil mudar a cabeça...

Eu realmente já não sei o que pensar... Há dois meses atrás quando decidi fazer mais um semestre, e ficar por aqui, já comecei a pensar na volta ao Brasil. Agora, essa volta parece que pode ser adiada. De novo. Não posso dizer que é porque eu quero ou não voltar, ou se quero ou não ficar. Parece que não tenho muita escolha. Fizeram me a proposta: mais um semestre. Não esperava. Racionalmente pensando mais um semestre é muito bom para o meu chinês, posso aprender muita mais e tenho a vantagem de ainda manter a vida sem trabalho que tanto gostaria. Mas, emocionalmente, isso ainda é um pouco difícil. Afinal, estava começando a me acostumar com a idéia de rever as pessoas que deixei, que são poucas, mas que ocupam muito em meus pensamentos. No entanto, voltando à parte racional, percebo que muito dos meus amigos já me deixaram, fisicamente e geograficamente falando.
Assim como eu disse na minha partida, que iria ficar a princípio 6 meses, este "a princípio" nunca foi tão real. O "a princípio" que eu tinha em mente quando sai, era de mais 6 meses. O "a princípio" se tornou real. Fiquei, e estou ficando mais 6 meses. Porém, vejo agora, que o meu "a princípio" era um tanto ingênuo. Tenho a possibilidade de ficar mais 6 meses. E se continuar desse jeito? O que era um "a princípio" pode se tornar a minha vida. Afinal, o que impede que isso aconteça? 2 meses atrás achava que as pessoas que deixei impediriam; mas, pensando bem e com dor no coração, digo que não é mais verdade porque o que existiu antes foi antes, e não posso voltar pensando no somente no passado. Posso voltar, mas quando voltar, posso me perder nas minhas memórias e na busca delas, pois enquanto todos continuaram, eu parei. A vida continuou lá do outro lado, mas na minha cabeça a vida do outro lado continua a mesma.
É difícil mudar os planos, mesmo que eles sejam racionalmente melhores. Mas, desde quando dá para se confiar nas emoções?